Acredito que todos têm uma lista de desejos.
Mesmo que seja uma lista anônima. Que seja calada. Que seja triste. Que seja numa folha linda, com vários desenhos ao redor, ou quem sabe numa folha qualquer, toda rasgada e rasbicada.
Eu não tenho. Pelo menos não no plano material.
Mas tem uns momentos que você olha no espelho, vê seu reflexo e pergunta pra ele: - Quem é você? Por que você tá olhando pra mim com essa cara toda amarrotada? Qual o seu problema?
E então você não tem respostas.
Você não sabe quem é, e nem ao menos quem quer ser. Tudo o que sabe e o que os paradigmas sociais gritam aos teus sentidos, ou o que tua família te impõe, simplesmente porque pra eles seria a melhor saída.
Mas, e você?
O que você quer?
Eu não gosto de livros de auto-ajuda, e com certeza não é isso que eu estou fazendo, mas, em algum momento, algum dia, em algum lugar, algo terá que acontecer. Alguma decisão terá que ser tomada.
Mas, e ele sempre aparece, isso pode demorar. Pode não acontecer da melhor maneira, e podemos nos decepcionar.
E no que eu acredito?
Acredito que sei exatamente pra quem estou olhando.
Acredito que sou (somos) seres solitários, tristes, fúteis, que sabem que assim são e se decepcionam.
Acredito que não sou a mais linda, ou mais inteligente, ou mais criativa.
Só que, eu também sou gente.
Só não descobri que tipo de gente. Pode ser pra dizer que sim, ou pra caber no mar, e pode ser ainda que isso nunca mude, MAS, eu ainda sou gente.
E isso, apenas isso, me dá o direito de chutar meu espelho, xingá-lo e dizer: foda-se.
E nesse momento nada mais importa.
Nada mais faz sentido.
E tudo parece maleável, simples, pronto para ser remoldado. E eu posso recomeçar. Me reconstruir.
E posso ditar minhas próprias regras, e fazer um blog, e até uma lista de desejos, e posso ainda prometer a mim mesma que nunca mais vou usar sapatos alheios.
E vou andando. Sei que a cada passo eu estou mais perto do precipício,só que agora eu quero ir, porque eu sei quem eu sou, sei quem eu estou construído.
Principalmente: Sei que deixarei neste mundo de estilhaço, em meio a cacos de vidros, o meu silage. E ele é bom. Mortífero, mas bom!!
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