quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Todas as minhas lágrimas...

Foram quatro anos.
E eu chorei, me arrastei, me humilhei.
Corri atrás, fiz de tudo pra ser vista, olhada, enxergada, admirada, amada.
E nada.
Nunca recebi nada em troca.
Nem um oi, olá, tudo bem... só nada!!
E minha alma chorou, se contorceu de dor, se enrolou sobre ela mesma, e se rasgou, e se quebrou, se despedaçou.
Agora só vejo cacos, pedaços do que um dia foi um coração apaixonado.
E agora, por sua causa, eu não acredito mais no amor.
Eu não o desejo mais.
Eu o discrimino.
E sou uma amargurada. Tenho uma alma amargurada.
E provavelmente sou uma vaca recalcada por ver meus amigos felizes “amando”.
Por isso eu odeio você.
Por isso eu quero que você chore, que você sofra, que você se arraste e não seja correspondido.
E eu posso ser considerada venenosa por estar te desejando o mal, mas eu  to sofrendo.
Será que você não entende isso?
Eu só quero que você sinta o mesmo que eu senti, para que tudo o que eu passei não seja em vão!
Para que todas as minhas lágrimas não sejam apenas gotas d'água salgadas que se perderam no tempo.
Para que minha alma estraçalhada não seja apenas restos do que um dia foi um sentimento.
Para que a minha existência e o meu rancor sejam justificados!

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Mortífero, mas bom!!

Acredito que todos têm uma lista de desejos.
Mesmo que seja uma lista anônima. Que seja calada. Que seja triste. Que seja numa folha linda, com vários desenhos ao redor, ou quem sabe numa folha qualquer, toda rasgada e rasbicada.
Eu não tenho. Pelo menos não no plano material.
Mas tem uns momentos que você olha no espelho, vê seu reflexo e pergunta pra ele: - Quem é você? Por que você tá olhando pra mim com essa cara toda amarrotada? Qual o seu problema?
E então você não tem respostas.
Você não sabe quem é, e nem ao menos quem quer ser. Tudo o que sabe e o que os paradigmas sociais gritam aos teus sentidos, ou o que tua família te impõe, simplesmente porque pra eles seria a melhor saída.
Mas, e você?
O que você quer?
Eu não gosto de livros de auto-ajuda, e com certeza não é isso que eu estou fazendo, mas, em algum momento, algum dia, em algum lugar, algo terá que acontecer. Alguma decisão terá que ser tomada.
Mas, e ele sempre aparece, isso pode demorar. Pode não acontecer da melhor maneira, e podemos nos decepcionar.
E no que eu acredito?
Acredito que sei exatamente pra quem estou olhando.
Acredito que sou (somos) seres solitários, tristes, fúteis, que sabem que assim são e se decepcionam.
Acredito que não sou a mais linda, ou mais inteligente, ou mais criativa.
Só que, eu também sou gente.
Só não descobri que tipo de gente. Pode ser pra dizer que sim, ou pra caber no mar, e pode ser ainda que isso nunca mude, MAS, eu ainda sou gente.
E isso, apenas isso, me dá o direito de chutar meu espelho, xingá-lo e dizer: foda-se.
E nesse momento nada mais importa.
Nada mais faz sentido.
E tudo parece maleável, simples, pronto para ser remoldado. E eu posso recomeçar. Me reconstruir.
E posso ditar minhas próprias regras, e fazer um blog, e até uma lista de desejos, e posso ainda prometer a mim mesma que nunca mais vou usar sapatos alheios.
E vou andando. Sei que a cada passo eu estou mais perto do precipício,só que agora eu quero ir, porque eu sei quem eu sou, sei quem eu estou construído.
Principalmente: Sei que deixarei neste mundo de estilhaço, em meio a cacos de vidros, o meu silage. E ele é bom. Mortífero, mas bom!!

sábado, 22 de novembro de 2014

E nada substituirá isso!

Não gosto de diário eletrônico. Me sinto culpada por não estar escrevendo. Eu poderia demonstrar meus sentimentos simplesmente com minha letra. Mas minha preguiça não deixa. E não é só isso. Eu já escrevi hoje. Escrevi muuito, se quiser saber.
Mas no fundo, não escrevi tudo. Tudo o que poderia dizer sobre mim, sobre o mês, sobre a casa nova, sobre a nova rota, ou o novo quarto com os móveis novos. Ou, ainda, os novos amigos.
Talvez eu nunca consiga. É muito para simplesmente escrever, ou digitar, ou filmar, ou fotografar. São coisas para se viver. E talvez esse seja meu maior pecado!
Ouço novas músicas. Visto as mesmas roupas. Vou aos mesmos lugares. Tenho sonhos diferentes agora. Não penso tanto antes de dormir: Penso o dia todo. Ando muito cansada. Dormindo pouco e comendo muito. Faltando na natação.
E talvez seja só uma fase. Adaptação à nova vida.
Quem sabe seja a descoberta de mim mesma. Ou da angústia de Sartre. Ou a perca da última gota de essência da minha alma. Ou talvez meu espírito vida tenha ficado em casa com minhas gatas. 
O que sei? Que é apenas o começo. O começo do meio. O meio do fim. O fim do começo do meio. Não sei!
Quem sabe termine. Ou acabe. Ou seja eterno. Quem saberá dizer? Quem saberá a cura? Quem me acalmará? Ou me excitará? Quem será?
Não gosto de meias palavras. Gosto de frases inteiras. Que me preencham. Que me completem. Que me acalmem. Que me faça sorrir. Ou que me faça chorar. Que me deixe angustiada dentro de meu próprio ser. Mas que nunca, nunca seja inútil. Que nunca seja vazia. Que nunca me deixe a par de tudo. Que nunca me preencha por inteira, ou que não se importe em preencher pelo menos em uma mísera gota.
Porque as palavras que não preenchem, que não pingam gotas coloridas em nossa alma, que não sejam desconexas, que não nos faça questionar, que não nos intrigue, que não nos faça mover, sair do sofá: Essas palavras serão em vão. Serão apenas o fruto de algum acaso triste. E esse acaso de forma alguma colidirá com o nosso. E não colidirá com o de mais ninguém. E será esquecido. E será perdido. E imperdoável.
O que minha alma chora, agora, é a falta. Não a falta carnal. Talvez também a carnal. Um x-doidão cairia bem. Mas um dilúvio de saudades também. Uma tempestade de abraços. Uma torrente de beijos sorridentes. Uma mesa farta de assuntos em comum.
Isso não quer dizer que eu seja solitária. Nem triste. Nem amarga.
Porque eu sou! Sou solitária. Sou triste. Sou amarga.
 Mas sou uma multidão. Sou feliz. Sou doce.

Sou o amor de uma vida. A vida de uma vida. E nada apagará isso. E nada substituirá isso!