sábado, 22 de novembro de 2014

E nada substituirá isso!

Não gosto de diário eletrônico. Me sinto culpada por não estar escrevendo. Eu poderia demonstrar meus sentimentos simplesmente com minha letra. Mas minha preguiça não deixa. E não é só isso. Eu já escrevi hoje. Escrevi muuito, se quiser saber.
Mas no fundo, não escrevi tudo. Tudo o que poderia dizer sobre mim, sobre o mês, sobre a casa nova, sobre a nova rota, ou o novo quarto com os móveis novos. Ou, ainda, os novos amigos.
Talvez eu nunca consiga. É muito para simplesmente escrever, ou digitar, ou filmar, ou fotografar. São coisas para se viver. E talvez esse seja meu maior pecado!
Ouço novas músicas. Visto as mesmas roupas. Vou aos mesmos lugares. Tenho sonhos diferentes agora. Não penso tanto antes de dormir: Penso o dia todo. Ando muito cansada. Dormindo pouco e comendo muito. Faltando na natação.
E talvez seja só uma fase. Adaptação à nova vida.
Quem sabe seja a descoberta de mim mesma. Ou da angústia de Sartre. Ou a perca da última gota de essência da minha alma. Ou talvez meu espírito vida tenha ficado em casa com minhas gatas. 
O que sei? Que é apenas o começo. O começo do meio. O meio do fim. O fim do começo do meio. Não sei!
Quem sabe termine. Ou acabe. Ou seja eterno. Quem saberá dizer? Quem saberá a cura? Quem me acalmará? Ou me excitará? Quem será?
Não gosto de meias palavras. Gosto de frases inteiras. Que me preencham. Que me completem. Que me acalmem. Que me faça sorrir. Ou que me faça chorar. Que me deixe angustiada dentro de meu próprio ser. Mas que nunca, nunca seja inútil. Que nunca seja vazia. Que nunca me deixe a par de tudo. Que nunca me preencha por inteira, ou que não se importe em preencher pelo menos em uma mísera gota.
Porque as palavras que não preenchem, que não pingam gotas coloridas em nossa alma, que não sejam desconexas, que não nos faça questionar, que não nos intrigue, que não nos faça mover, sair do sofá: Essas palavras serão em vão. Serão apenas o fruto de algum acaso triste. E esse acaso de forma alguma colidirá com o nosso. E não colidirá com o de mais ninguém. E será esquecido. E será perdido. E imperdoável.
O que minha alma chora, agora, é a falta. Não a falta carnal. Talvez também a carnal. Um x-doidão cairia bem. Mas um dilúvio de saudades também. Uma tempestade de abraços. Uma torrente de beijos sorridentes. Uma mesa farta de assuntos em comum.
Isso não quer dizer que eu seja solitária. Nem triste. Nem amarga.
Porque eu sou! Sou solitária. Sou triste. Sou amarga.
 Mas sou uma multidão. Sou feliz. Sou doce.

Sou o amor de uma vida. A vida de uma vida. E nada apagará isso. E nada substituirá isso!

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