sexta-feira, 16 de novembro de 2018

sou devaneio de amor nas horas escuras

eu queria que minha mãe não tivesse me falado sobre o amor
que eu não acreditasse tanto que um dia encontrarei alguém que ficará comigo pra vida inteira
queria não sentir tanto e não me jogar tanto
não planejar
apenas sentir

me causaria menos dor
menos transtornos
o que me acontecesse seria lucro
e seria lindo na sua pura e simples forma passageira e mutável

queria aceitar que se deve deixar as pessoas partirem sem se sentir abandonada
e entender que não é porque elas se foram que não quiseram estar aqui enquanto estiveram
aprender a apreciar a história, mesmo que ela tenha durado apenas um olhar pela vidraça do ônibus
e transformar as marcas que me deixaram em patrimônio histórico de mim mesma

assim eu dormiria em paz
acordaria pronta pra viver
sem olhar pro celular cada vez q ele vibrar
sem ter q me abster de mim mesma

mas eu sou sagitário
sou fogo intenso
sou devaneio do amor nas horas escuras
e acendo uma cidade inteira durante apenas um olhar pela vidraça do ônibus

tu em mim

teu cheiro ainda está aqui em mim
teu toque ainda me faz respirar fundo
tua pele ainda me é tão macia
tua língua gelada me procura na noite

e me invade
e me sufoca
e eu já não sei respirar

meu suspiro é alto e profundo
meu desejo arde adentro
meu líquido escorre perna abaixo
meu corpo já não sabe se conter

quer ver como eu estou?

sábado, 1 de setembro de 2018

nada

Hoje o dia tá claro
quente
seco
a manhã foi agitada
e meu corpo resiste em acompanhar minha vida
as obrigações se acumulam
e formam muros tão altos que tudo aqui dentro é sombra
meu cérebro me diz que precisamos fazer algo
acompanhar o dia
se deixar banhar pela luz do sol
e descongelar
mas
por algum motivo
inidentificável
não fazemos nada
celebramos esse acordo tácito
de nada fazer
nada sentir
nada temer
e, por isso,
os livros são apenas folhas riscadas e desinteressantes
as músicas são apenas barulhos cacofônicos
perto demais
altos demais
as roupas não encaixam como deveriam
e isso incomoda
mas nada fazemos
nada fizemos
nada faremos
porque nada sentimos!



23/08/2017